"Não me roube a solidão sem antes me oferecer verdadeira companhia."


Friedrich Nietzsche



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A minha inveja...

...sempre foi dos surfistas e tenho dito! Os Rockstars e os bilionários que me desculpem, mas creio fielmente que os que chegam mais perto de decifrar o sinônimo de vida são eles. Sempre invejei a calma e o controle, a arte de dominar algo tão bruto, tão natural e inconstante.
 Os filósofos e poetas que entendam, vocês ficaram tanto tempo pensando e criando seus próprios universos. para que pudessem realizar suas aventuras. Enquanto isso, pessoas mais simples resolveram se aventurar nesse mundo comum e criar uma grande forma de paz e ligação.
 Os cientistam contestarão, mas terão que concordar que enquanto estabeleciam limites e impossibilidades, os surfistas estão entre ondas maiores que as casas em que moram. Enquanto vocês se concentram em tubos de ensaios, eles estão dentro de tubos d'água, dos quais, sempre sonhei em estar.
Os outros esportistas, ou até mesmo os sedentários, que tentem estabelecer algo similar com a arte de andar sobre os oceanos, amar o que faz e passar esta paixão para as suas próximas gerações.
 E os outros mortais, que aprendam como estabelecer esta ponte, feita de fibra e parafina, com o corpo e a alma. A conexão entre o homem e o ambiente.
Deus abençoe os surfistas...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O que poderia ter sido melhor?

O que poderia ter sido diferente? Tudo? Apenas a metade ou alguns poucos momentos, decisões e resultados? Teria sido melhor se tivessemos lido todas as regras do contrato, mesmo aquelas escritas com letras pequenas, no rodapé, seguidas de asteríscos?
Talvez teria sido melhor se tivessemos um pouco mais de medo. Não responsabilidade, nem paciência, tampouco moderação. Medo!
Medo de meter os pés pelas mãos, o medo de acabar tomando a atitude que você nem mesmo queria, o medo de conquistar o que você nunca desejou. O medo que é maior do que o medo de perder a vida, o medo de desperdiça-la, de gastar-la como um simples palito de fósforo. Não vos aconselho a temer a vida, muito menos temer a morte.  O que posso aconselhar é que temam o tamanho e a força das suas escolhas, que tenham medo do que podem conseguir e que respeitem as consequências dos atos que, bem pensados ou não, são de sua responsabilidade. Tenha medo, isso pode salvar sua vida um dia.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

...Ocasionalmente!

O acaso é, realmente, intrigante e surpreendente. A extraordinária capacidade que todas as coisas possuem de virar de pernas pro ar, em questão de minutos. É tudo tão fascinante! O modo em que ignoramos as regras, não recebemos os avisos, esquecemos dos cuidados e insistimos em arriscar, em apostar até o que não temos no que cremos ser o que sempre sonhamos ou apenas a alternativa mais providencial.
O acaso é, realmente, imparcial e imprevisível. A incrível mudança de comportamento que o tempo nos leva a cultivar. E nós acabamos habituados com a frequência da quebra da rotina, mas nunca nos acostumamos com a sensação desse rompimento de universos, de dimensões. Assim como a primeira reação da vida, ao ser retirada de sua primeira rotina, do seu primeiro universo, é o choro. A lágrima pura, vinda da primeira vez em que enchemos o pulmão de ar, vinda da lâmina que nos separa do plural, nos colocando de vez no singular.
O acaso, em sua maior parte, nos leva a crer que tudo está acontecendo lá fora e que tudo parece muito terrível e perigoso, mas que não é tão ruim enquanto não acontece com você. Ou será que nós queremos acreditar nisso? Que "não é porque aconteceu com ele que vai acontecer comigo". Esse instinto falho de segurança, essa confiança cega de que nada vai acontecer, afinal, as coisas acontecem com as outras pessoas, que vimos na televisão, em diversos canais revezando as tragédias diárias. No final o acaso está esperando, pra colocar a sua vida em um liquidificador ou quem sabe em uma montanha-russa. O acaso é um milagre, uma doce maldição. O acaso é o dedo de quem aponta os erros que acabará cometendo, talvez até pior. O acaso é um acidente esperando para acontecer.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

...

Lá fora, em algum lugar, o dia nasce e em outro lugar a noite cái. Lá fora, em algum lugar, alguém pede aos céus um pouco de chuva, como se a esperança caisse em gotas, e em outro lugar alguém implora que a água pare de cair e levar tudo consigo.
Lá fora, o amor passeia de mãos dadas com o ódio pela mesma calçada em que vem a paz e a guerra. Mas eu...
...Eu quero ficar aqui!
Lá fora, existe a fome, a miséria e a violência. Nesse momento alguém está nascendo no mesmo canto da cidade em que alguém está morrendo. Lá fora, pessoas trabalham, ou não. Pessoas são roubadas e enganadas. Lá fora existem garotos e garotas perdendo a virgindade e senhores e senhoras perdendo a vontade, se é que vocês me entendem. Mas eu...
...Eu vou continuar aqui!
Lá fora, alguém vê o amor chegando ao mesmo porto em que alguém viu ele partindo. Lá fora, as pessoas estão se matando por chamarem um mesmo Deus por nomes diferentes. Lá fora, alguem que está chorando procura um bom motivo pra viver sorrindo. Lá fora, alguém está doente, de uma doença sem cura, que pouco se sabe à respeito. Alguém também se cura do mal que outro alguém tenha lhe feito. Mas eu...
...Eu vou ficar aqui, assistindo você dormir. Me esquecer que há vida fora desse quarto, esquecer do que eu já te escrevi ou das grosserias que já te falei. Eu só preciso te ver deitada, com o seu cheiro dominando o quarto, eu preciso ouvir sua respiração como uma sinfonia. Eu...
...Preciso ter dar meu coração e deixar você parti-lo.

Parole in bianco e nero...

São sempre as mesmas... As mesmas voltas que o mundo insiste em repetir, o mesmo ponteiro girando ao mesmo tempo.
São sempre as mesmas esquinas que viramos, as mesmas linhas que evitamos pisar, as mesmas pessoas que encontramos e não lembramos. É sempre a mesma velha história, a mesma vontade. Sempre os mesmos vícios.
As mesmas bocas que nós beijamos, os corações que partimos, sempre os mesmos planos que criamos, os milagres que não vimos. Sempre as mesmas invenções, as mesmas novidades, a mesma velha rotina maldita. Ainda somos as mesmas pessoas que nos tornamos para não mais ser os mesmos. Você sente o mesmo ódio que sentimos, você chega ao mesmo tempo em que voltamos e se vai do mesmo porto de que partimos. Somos os mesmos homens que éramos, mudaram as cavernas em que vivemos.
Então criamos tudo que já foi criado para tornar tudo mais ágil e simples, mas continuamos vivendo com a mesma pressa. Ainda ouvimos as mesmas músicas, assistimos os mesmos filmes, contamos as mesmas piadas e elegemos os mesmos politicos. Nós ainda escrevemos, mesmo por que, precisamos ler as mesmas palavras... Palavras em branco e preto.

Vivendo e não aprendendo...

Andei cansado por um tempo, depois desse tempo em que eu cansei de andar. Disseram que seria bom pra pensar, que as coisas ficam um pouco mais tragáveis. Andar... Andar até algum lugar onde o ar não pese tanto, onde eu possa parar e descançar um pouco. Andar pra sentir as articulações enferrujadas reclamarem e os ligamentos darem um nó. E a cada parada os músculos queimarem e expirar, expulsar o fogo dos pulmões.
Ai sim, acender um cigarro e sentar na beira da estrada, nenhum carro, ninguém por perto, nenhum ruído que não seja o do vento correndo por entre o labirinto de folhas nas árvores ao redor e o estalo do papel que se queima a cada trago. É quando você percebe que essa caminhada não te fez pensar e que era exatamente disso que você precisava. Prestar atenção nas coisas que passam sem grandes expectativas, nada de extraordinário e no entanto inacreditavelmente encantador. É uma questão de sintonia, consigo e o ambiente que lhe cerca. É uma questão de não procurar definições polidas ou soluções filosóficas. A definição é simples: É foda!